Revista da Ordem, Edição 54 – Legaltechs: o novo caminho da advocacia? Clique aqui e confira.

A pergunta já não é mais “se” e sim “quando”. E para quem ainda não acredita, eis um aviso importante: a mudança na advocacia já começou. Automação, gestão e jurimetria são palavras em voga em sites de escritórios no mundo todo. Contudo, o uso da expressão inteligência artificial para descrever seus serviços, ainda nos parece arriscado.

Em 1997, quando o Deep Blue, computador desenvolvido pela IBM, derrotou Kasparov em uma série de partidas de xadrez, profetizaram o final apocalítico da raça humana. Entretanto, apesar de os avanços tecnológicos, desde então, terem sido muitos, as máquinas ainda seguem à nossa disposição e não o contrário.

A inteligência artificial hoje existente é equivalente à de uma criança de 5 anos. A diferença está na capacidade de processamento e armazenamento de informações e na interação destas ferramentas com uma nova mentalidade existente na sociedade.

Pensando nisso, centenas de empresas focam no desenvolvimento de ferramentas mais inteligentes, capazes de diminuir o tempo “perdido” por seus funcionários.

O termo Legaltech (ou lawtech) descreve empresas ou escritórios que se utilizam de ferramentas de tecnologia e softwares para oferecer serviços jurídicos ou otimizá-los, tais como:

Gestão de Escritório: envolve a avaliação de cada processo e do custo de mão de obra. Receber R$ 90.000,00 de honorários daqui a 8 anos é melhor que fazer um acordo e receber R$ 30.000,00 já? Se você não souber o custo do processo para seu escritório, talvez daqui a uma década você comemore o levantamento do alvará, sem saber que investiu o dobro para tanto.

Análise: com um conjunto de julgados é possível fazer previsões precisas da probabilidade de certo processo vingar ou, até mesmo, encontrar tendência de jurisprudência.

Conciliação on line: empresas têm oferecido plataformas on line de resolução de conflitos. Nelas, você pode convidar as partes para exporem o motivo do convite e apresentarem uma proposta de acordo.

Disponibilidade: Foi-se o tempo em que você ligava para um escritório de advocacia e conversava com a secretária para marcar horário. Hoje, clientes marcam compromissos por meio de agenda eletrônica e sanam suas dúvidas com o próprio advogado por WhatsApp.

Uma legaltech vai muito além desses conceitos. Para assim se denominar, o escritório precisará abandonar alguns dos velhos hábitos da tradicional advocacia e incutir a tecnologia em seu DNA. É tempo da advocacia 4.0!

Em um mundo em que todos têm acesso à informação, destacar-se-ão aqueles que sabem tratá-la corretamente e processá-la rapidamente.

Muitos dos desafios impostos por empresas como Amazon e Uber jamais foram discutidos nos Tribunais. O advogado precisará ser criativo para propor soluções inéditas para problemas novos.

Citar Pontes de Miranda não vai te ajudar a convencer Elon Musk de que você é a pessoa certa para resolver os problemas da Tesla. Dados e racionalidade sim.

Conecte-se. Para não ficar obsoleto, você precisará ter conhecimento dos desafios de nossa sociedade. Em breve seu conhecimento de Direito Material e Processual não será suficiente para resolver o problema do seu cliente. Ah, e é importante que você conheça um pouco sobre Bitcoins e criptomoedas.

A tecnologia deve ser enxergada como uma ferramenta para facilitação da atividade do advogado.

Os custos com processos diminuirão e tornarão a contratação de advogados mais atrativa. Profissionais mais capacitados serão valorizados e remunerados adequadamente.

Economizar com o pagamento de honorários advocatícios parece uma ótima saída para qualquer empresário. Entretanto, a pergunta que resta é: você confiaria seu processo a uma criança de 5 anos?

Recomendamos a ótima matéria publicada pela Advogada Luísa Tonelli: “Até que o cartório nos separe”, clique aqui

Dúvidas, críticas e sugestões sobre o assunto, serão muito bem-vindas! Por favor contate-nos pelo e-mail felipe@vec.com.br

Luís Felipe Cunha

Mestre em Direito Econômico e Social, Pontifícia Universidade Católica PR, 2006.
Bacharel em Direito, Pontifícia Universidade Católica PR, 2001.

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Felipe Mendonça | OAB/PR: 84.256 | OAB/RS: 69.083

Mestrado em Direito do Trabalho, Pontifícia Universidade Católica RS, 2015; MBA em Direito da Economia e da Empresa, Fundação Getúlio Vargas RS (2008);
Bacharel em Direito, Pontifícia Universidade Católica RS, 2006.

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